quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Tirinhas - Campeão em cheirar flores

Tirinha que ilustra muito bem o mundo corporativo. Tudo é competitivo, todos estão correndo e você é um estranho por não fazer o mesmo.

E você, é mais parecido com o "Tipo A" ou "Tipo B"?

Tradução:

    Quadro1: "Oloco, calma ai, amigo."

    Quadro2: "Você não sabe que as vezes precisamos parar e cheirar as flores?"

    Quadro3:

    Quadro4: "Campeão em cheirar flores!"

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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Moral e independência financeira (parte 2)

Na primeira parte eu abordei a questão da moralidade em relação a pessoas que decidem parar de trabalhar. Aqui vou discutir um segundo tópico relacionado:

Moralidade de um indivíduo que tem um grande valor monetário

Nossa sociedade tem uma visão geralmente negativa de um indivíduo que possue muito dinheiro em posse. Muitos dizem que não é justo uma única pessoa ter uma quantia exorbitante de dinheiro, e deveria fazer X, Y, ou Z com ele (eg: doar).

Vamos tentar entender o que é o dinheiro e de onde ele vem.

O dinheiro nada mais é do que uma forma de trocas. Há centenas ou milhares de anos atrás a civilização trocava um bem por outro (por exemplo, um litro de leite por um kg de arroz). Porém, é muito mais fácil utilizar um meio em comum de fácil transporte e de alta durabilidade (um kg de arroz não cabe no seu bolso e deteriora depois de alguns dias/meses). Assim as pessoas começaram a utilizar um meio intermediário que hoje chamamos de dinheiro. No começo desse processo era muito comum utilizar metais como ouro e prata, mas hoje em dia o governo nos "obriga" a usar a moeda do país (vai me dizer que você realmente quer utilizar o 'real' brasileiro?). [Recomendo a leitura do livro "O Que o Governo Fez Com o Nosso Dinheiro?" de "Murray N. Rothbard"].

Man in Blue Top Giving Box to Man in Gray Top

É importante notar que as pessoas QUEREM fazer trocas. Isso as deixam mais "ricas" e satisfaz suas necessidades. Quando você vai no supermercado, você está procurando as mercadorias que você QUER (digamos 1 kg de arroz). Você está disposto a fazer a troca de dinheiro que você tem por arroz que você não tem. O supermercado, em contrapartida, quer fazer a troca do dinheiro pelo arroz. Quando a troca acontece, ambos saem felizes. Você tem o arroz que você queria, e o mercado tem o dinheiro que ele queria. Caso a troca não fosse beneficial para alguém, ela não aconteceria. Foi você, com todo o valor subjetivo, que decidiu que 1kg de arroz vale mais do que o dinheiro que você deixou no mercado. Da mesma forma, o supermercado decidiu que o dinheiro recebido vale mais do que 1kg de arroz.

Isso significa que a economia/sociedade NÃO é um "jogo de soma zero"! Toda vez que acontece uma troca voluntária (pode chamar de compra de produto ou serviço, se quiser), ambas as partes (produtor e cliente) saem melhor do que estavam antes. A sociedade como um todo fica mais rica. Porém, geralmente vemos apenas o dinheiro que ficou do lado do comerciante, e esquecemos do produto ou serviço que ficou do lado do cliente.

Outro ótimo exemplo foi dado pelo Dr. Yaron Brook. Quem perde ao comprar um celular? Digamos que custou R$1000,00. Quanto vale esse celular? Na minha visão de cliente ele vale muito mais do que R$1000,00! Caso contrário eu não teria comprado e preferiria ficar com o dinheiro. Com o celular eu posso acessar a internet, me comunicar com os amigos e familiares, tirar fotos, fechar negócios, etc. É um valor subjetivo e cada indivíduo julga se o celular vale mais ou menos do que R$1000,00! Do outro lado, quanto custou para a fabricante produzir o celular? Com certeza menos do que R$1000,00. Senão seria um negócio que dá prejuízo. No momento em que a troca é executada, ambas as partes enriquecem! Eu fico com o celular que na minha opinião vale mais que R$1000,00 e a fabricante fica com o dinheiro que paga a produção do celular e o restante como lucro. Ambos saímos ganhando!!!

Person Holding Iphone Showing Social Networks Folder

Um examplo específico de um indivíduo muito rico, é o Jeff Bezos (CEO da Amazon) que possui bilhões em sua fortuna. Se olharmos apenas o valor que ele possui, é verdade que ele é individualmente muito rico. Porém não podemos nos esquecer das milhões de pessoas que tiveram suas vidas melhoradas por causa dele e de seu negócio. Com certeza a sociedade como um todo ficou muito mais "rica" do que o valor monetário que o Jeff Bezos possui - caso contrário as pessoas não teriam utilizado os produtos/serviços e teriam preferido ficar com seu dinheiro. É muito difícil ver o lado subjetivo da melhoria dos clientes, mas é muito fácil julgar o alto valor adquirido pela empresa.

Atualmente moro no EUA e posso dizer com toda a certeza que a Amazon (empresa de Jeff Bezoz) revolucionou a área de logística do país (e provavelmente do mundo). A maioria das famílias americanas utilizam o serviço de uma maneira ou de outra. A sociedade como um todo está muito melhor, a qualidade de vida muito melhor, do que era antes de existir a Amazon. Ela não solucionou todos os problemas da sociedade, mas isso é irrelevante. Ainda existem pessoas passando dificuldades. Ainda existem países com a maioria da população na miséria. Ainda existem pessoas desempregadas. Mas todos esses problemas NÃO foram causados porque o Jeff Bezos tem mais dinheiro no bolso. É absurdo querer que uma única pessoa ou empresa resolva todos os problemas do planeta ao mesmo tempo.

Birds-eye View Photo of Freight Containers

Em resumo: Quando uma pessoa possui um grande montante de dinheiro, desde que seja obtido de maneira de livre troca (sem roubo/coerção), é porque quem deu o dinheiro para aquela pessoa recebeu muito mais em troca. No final, a sociedade está muito melhor.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Moral e independência financeira (parte 1)

Um dos comentários que vejo quando o assunto é independência financeira é sobre a moralidade das pessoas que juntam um grande montante de dinheiro para se aposentar. Argumentos surgem questionando se tais pessoas não seriam mais úteis para a sociedade se continuassem trabalhando e produzindo, ao invés de parar e não produzir mais nada. Outro ponto ataca principalmente o grande valor monetário guardado por apenas um único indivíduo, ao invés de estar distribuído entre as pessoas. Vou comentar sobre ambos pontos separadamente. Neste post falo sobre o primeiro, e no próximo sobre o segundo.

Moralidade em parar de trabalhar

Antes de discutir este ponto é muito importante deixar claro o significado de "aposentadoria antecipada" ou "parar de trabalhar". Quando a comunidade FIRE fala em independência financeira e aposentadoria antecipada, ela apenas diz que você terá dinheiro suficiente para não precisar mais trabalhar no seu emprego atual. O que você fará depois que atingir o montante necessário é total liberdade sua. Este é um dos problemas em se usar a palavra "aposentadoria" ou em falar que vai "parar de trabalhar". Pois a maioria das pessoas pensam que você irá levar um vida ociosa todos os dias - o que seria um tédio.

A maioria das pessoas que vejo na comunidade está buscando a independência financeira para realmente parar de trabalhar no emprego atual. Seja porque não gosta do emprego, como é o meu caso, seja por querer mais tempo livre com a família ou amigos, ou qualquer outro motivo.

Portanto, "aposentar" ou "parar de trabalhar" apenas quer dizer que você não necessariamente precisa trabalhar no formato regular, com as formalidades exigidas: Das 8h as 18h de Segunda a Sexta? CLT? 30 dias de férias por ano? Etc.

Pergunta: Isso significa que você não será útil para a sociedade agora que não terá um emprego formal (potencialmente com carteira assinada) e jornada de trabalho pré-definida? Resposta: Não!!! Muito pelo contrário. Uma vez que você é livre para fazer o que quiser, cabe a você se tornar uma pessoa útil à sociedade. Em muitos casos você poderá ser mais útil do que você jamais pensou em ser no seu antigo trabalho formal.

Mas afinal, o que é trabalho? O que é útil e não é útil? Como vou saber se serei mais útil com minhas atividades depois de "aposentar"?

Ora, qualquer atividade que possa ajudar outra pessoa é útil. E isso se aplica a pequenas coisas do nosso dia a dia também. Um exemplo disso seria uma pessoa que pretende se aposentar mais cedo para acompanhar de perto o crescimento de seu filho. Você não pode negar que provavelmente a pessoa será muito útil e estará fazendo um bem enorme para o filho por estar mais próximo. Os impactos são imensuráveis. A vida da criança pode mudar drasticamente na presença ou ausência dos pais. E essa criança pode crescer como uma pessoa melhor e ter um impacto ainda maior no mundo. Em outras palavras, conseguimos transformar o mundo em um lugar um pouquinho melhor com pequenas melhorias que fazemos.

Vejo algumas pessoas da comunidade FIRE que começam a participar de trabalhos voluntários mais ativamente, coisa que é muito difícil quando a maior parte do seu tempo é dedicado ao trabalho formal. Vejo outras que começam uma nova carreira, que de um hobby acaba virando uma profissão. Outras ainda passam a se dedicar a blogs, podcasts, livros para ajudar as pessoas que possam estar passando pelo desgaste que elas passaram. Ou você vai negar que os próprios blogs da Firesfera não tem impacto positivo na sociedade? Posso dizer categoricamente que eles me ajudaram MUITO a encontrar uma saída ao meu desconforto com o "normal" da vida corporativa, como comentei no meu primeiro post.

Uma pergunta muito válida é: "Como fazer uma comparação justa entre os benefícios que você fazia no seu emprego formal, com os benefícios que você faz com seu tempo livre?" Mensurar o primeiro (emprego formal) é geralmente mais fácil. Sabemos o que a empresa que trabalhamos faz, seus clientes, fornecedores, usuários, grande parte da cadeia envolvida. Porém é muito mais difícil medir o segundo (o que você faz no seu tempo livre), pois os impactos muitas vezes são indiretos, e muitas vezes você não tem o valor monetário para comparar.

Vou usar o meu próprio caso como exemplo. Trabalho na área de TI em uma empresa multinacional a quase 10 anos. É fácil ver o benefício que a empresa traz para a sociedade através de seus produtos. Porém, tenho a certeza que minha produtividade é muito baixa e eu seria muito mais útil fora da empresa. Na verdade, eu tenho a sensação que a produtividade da maioria das pessoas que trabalham na empresa é baixa, pois passam a maior parte do tempo resolvendo problemas que não deveriam nem existir, ou seja, a maior parte do tempo dos funcionários não é utilizada pela sociedade.

Pessoalmente acredito estar perto da minha independência financeira. Não sei exatamente o que vou fazer depois. Primeiramente vou usar um tempo para me "desintoxicar", melhorar minha saúde física e mental. Depois, existem várias coisas que sempre gostaria de ter feito mas nunca tive tempo e energia para fazer (porque meu trabalho atual consome a maior parte do meu tempo e quase toda minha energia). Um exemplo simples é poder participar em projetos open-source. Caso você não saiba, existem vários softwares livres e gratuitos que as pessoas fazem porque gostam. Mesmo que você não use diretamente nenhum deles (eu duvido), você com certeza usa indiretamente. O sistema operacional Linux é o melhor exemplo e vários servidores utilizam, ou o Android que é utilizado na maioria dos celulares no mundo.

Para concluir, se "aposentar" NÃO significa ficar o resto da sua vida ocioso. Na verdade significa ter liberdade e tempo para fazer aquilo que você gosta ou sempre sonhou. Não é fácil medir o que é mais impactante para a sociedade como um todo: i) ter você trabalhando em um emprego formal, ou ii) ter você livre fazendo seus projetos pessoais. Entretanto, é fácil dizer que você terá muito mais chance em ser mais útil se estiver feliz com o que está fazendo. Se você está infeliz com a sua situação atual, é muito provável que a sociedade como um todo irá se beneficiar se você começasse a fazer algo que goste e te motive.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Odeio o meu trabalho! Pena que paga bem!

Vou contar um pouco sobre o meu trabalho e o porquê ando tão infeliz com ele.

Trabalho na área de TI há quase 10 anos em uma grande empresa internacional - o que me possibilitou mudar para o EUA em 2018.

No primeiro ano era tudo maravilhoso. Me sentia feliz em aprender como a empresa funcionava, como era o processo de trabalho, o código desenvolvido pelos programadores da empresa, etc. Ficava feliz em ser útil a qualquer um que pedisse, e me sentia feliz nas reuniões quando podia ajudar com alguma coisa. É uma fase muito similar ao começo de um relacionamento. Tudo é muito bonito e gostoso, os defeitos não incomodam e você finge que não são importantes. Minha única preocupação no primeiro ano era com a minha síndrome do impostor. Muitas vezes me achava inferior ao esperado pela empresa, o que me fazia trabalhar mais do que eu gostaria. Nesse período, eu falava que tinha obtido o sucesso profissional, onde eu estava ganhando dinheiro para fazer algo que eu faria de graça.

Conforme o tempo foi passando, em um processo natural, eu fui crescendo. Agora as tarefas não eram mais pequenas e isoladas - como "implementar a funcionalidade X" - mas envolviam grandes discussões e planejamento. Coisas simples muitas vezes levavam semanas ou até meses para serem executadas. Documentos e mais documentos eram criados para convencer algum superior que mal entendia o que estávamos fazendo. Toda minha energia e alegria em ser útil e produzir algo para a empresa era consumido em uma tempestade de burocracia e processos. No começo tentei entender a situação. Afinal, uma empresa precisa ter controle sobre o que está acontecendo, não? Alguns processos passaram a ser mais automáticos no meu ponto de vista - apesar de não concordar muito eu fazia mesmo assim o mínimo necessário.

Por incrível que pareça, a empresa que trabalho é uma das melhores em termos de agilidade e pouca burocracia. Talvez só perca para start-ups onde realmente não há quase processo nenhum. Confirmo isso vendo amigos e relatos de pessoas que trabalham em outras empresas de TI e fico pensando o quão mais infeliz estaria no lugar deles.

Gradualmente esses trabalhos que na minha opinião são na maioria das vezes desnecessários foram aumentando e a minha paixão pelo trabalho foi diminuindo. Minha sensação de "sucesso profissional" onde recebia dinheiro para fazer algo que faria de graça, foi mudando para uma relação mais profissional - eu dou o meu tempo para a empresa e em troca recebo meu salário. O que me deixava cada vez mais p@!&o era ver que todos pareciam jogar o jogo como se todo o processo fosse algo natural. E as poucas vezes que me expressei fui visto com mal olhos. Aos poucos fui me sentindo isolado por não gostar de participar do jogo do mundo corporativo. Happy hour? Evitava sempre, pois sei que envolvia ego das pessoas. Almoço com o time? A maioria das vezes era mais para conversar sobre trabalho do que almoçar. "Fun event"? Não obrigado - é impossível algo ser "fun" com várias pessoas com ego inflado jogando o jogo empresarial.

Finalmente cheguei em um estágio onde não quero nem levantar da cama. Antigamente eu fazia horas extras sem problema nenhum, afinal me sentia feliz em ser útil. Agora, eu evito ao máximo. Só tenho vontade de fazer o mínimo necessário para que o processo de avaliação pessoal não venha negativo. Porém, apesar de não trabalhar ativamente fora do horário de trabalho eu me pego várias vezes pensando ou resolvendo problemas na minha mente. Esse é um dos pontos negativos em trabalhar com resolução de problemas: você pode até desligar o computador, mas é muito difícil desligar a mente. Acordo várias vezes de madrugada pensando nas reuniões que vão acontecer, ou em como resolver um problema específico. É comum ter sonhos onde estou trabalhando com o meu time resolvendo coisas que realmente estão acontecendo na vida real. Entretanto, 90% dos problemas existentes no meu trabalho não deveriam nem existir (processos, status, planilhas, documentação, reuniões). O restante acaba sendo consumido pela ineficiência de uma empresa grande - muitas coisas precisam ser alinhadas entre times diferentes que seguem diferentes prioridades.

Posso dizer tranquilamente que "Odeio o meu trabalho!". Mas é uma pena que ele paga bem. Caso contrário já teria tirado essas algemas de ouro e procurado um outro emprego.

Para finalizar o relato, existem outros pontos na área de TI que me deixam bem desconfortável. Ficou claro que burocracia, reuniões e documentos são uma parte importante no meu descontentamento. Mas isso acontece mais conforme o cargo vai aumentando. Em um ponto mais geral, me incomoda bastante como a área de TI adotou cegamente "Machine Learning" (ML), onde a máquina aprende e resolve o problema para você. Meu maior desapontamento com ML é com todo o ambiente que é criado, onde você se sente obrigado a utilizar uma técnica de ML mesmo para coisas que não fazem sentido. Vários engenheiros são treinados na área e não se questionam em mais nada. São de certa forma profissionais altamente capacitados e ao mesmo tempo zumbis que não pensam. Porém esse é um assunto bem complexo para escrever neste post. Talvez eu escreva um post sobre os problemas de ML no futuro - mesmo não tendo muita relação direta com o blog.

sábado, 3 de abril de 2021

Meus Investimentos - R$ X.XXX.XXX,XX

Olá pessoal!

No post de hoje comentarei um pouco sobre como está a alocação dos meus investimentos. Conforme dito no meu primeiro post, não pretendo ficar postando fechamentos mensais ou periódicos do meu patrimônio. Então este deve ser um dos poucos posts sobre o assunto. Só voltarei a escrever caso minha estratégia mude significativamente. Não é porque eu não queira compartilhar os detalhes da jornada com vocês, mas porque eu não sou muito organizado - tanto com os investimentos quanto com meus gastos.

Você deve estar se perguntando: "Como assim? Você é fora de controle e mesmo assim tem um patrimônio de "7 dígitos"?

A explicação é que sempre tive uma vida simples, com poucos gastos. Eu devo ser uma das poucas pessoas do mundo que não gosta de viajar, por exemplo. Prometo escrever o porquê em um post futuro 🛫. Também tive a "sorte" (e competência) de trabalhar na área de TI em uma boa empresa que paga bons salários, e desde 2018 moro no EUA, recebendo em dólar. Então, mesmo sem muito esforço com meus investimentos financeiros, é natural que meu patrimônio tenha crescido bastante. Devo admitir que a alta do dólar frente ao real ajudou a ver o meu patrimônio crescer muito em reais - mas isso não significa nada se eu resolver continuar morando no EUA (pois os gastos estão todos em dólar - e não são baratos!). Prometo também fazer um post sobre a vida no EUA e os custos aproximados que tenho 🗺.

Vale ressaltar também que no início da caminhada FIRE, é muito mais importante os valores dos aportes do que os rendimentos, conforme detalhado pelo AA40. Minha taxa de aporte atual é de aproximadamente 70% do salário líquido (descontando os impostos e taxas). Isso devido à vida simples com poucos gastos e ao bom emprego que tenho (e sou muito grato a isso - porém existem aspectos negativos que abordarei em posts futuros). Gostaria apenas de esclarecer que apesar de ter uma vida simples, moro em um local muito bom (honestamente, é fácil achar um lugar bonito no EUA 😂), e vivo uma vida normal. Economizo no que posso, mas sem sofrimento. E a parte que mais faço questão de não economizar é com a alimentação - pra mim é um dos maiores prazeres da vida poder comer uma boa comida. E eu raramente gasto indo em restaurantes (ou pedindo delivery). Na verdade tenho a sorte de ter uma esposa que cozinha muito bem! Eu também gosto de cozinhar e atrapalho ajudo ela na cozinha as vezes.

Não me sinto confortável em colocar valores exatos. Muito devido ao tabu de falar sobre dinheiro e a segurança (ou a falta dela) que existe no Brasil. Infelizmente, tenho a sensação de que a maioria do brasileiro demoniza quem tem dinheiro. Como se alguém tivesse perdido para que eu tivesse ganho. Escreverei mais sobre o tema no futuro, mas já digo que a troca de capital NÃO é uma soma-zero.

Primeiramente, já poderia me declarar FIRE (ou melhor, RE - Retire Early) no Brasil. Atualmente, minha TNRP (Taxa necessária de remuneração do portifólio) é de 2% ao ano. Isso significa que para viver de renda no Brasil eu preciso fazer minha carteira render 2% ao ano acima da inflação. Com esse rendimento eu teria dinheiro para o resto da minha vida sem diminuir o montante atual. Note que eu estou estimando os gastos com as minhas necessidades de 2017 quando ainda vivia no Brasil (corrigido pela inflação).

A situação é diferente se considerar meu custo de vida aqui no EUA. Minha TNRP aqui está em 4.3% ao ano. Ou seja, eu preciso ter um rendimento de 4.3% ao ano acima de inflação americana para viver de renda para o resto da vida. Muitos diriam que estou perto da independência financeira usando a regra dos 4%. Porém não gosto muito dessa regra e prefiro esperar um pouco mais.

Meus investimentos

Isso não é recomendação de investimento!

A maior parte dos meus investimentos encontram-se em dólar (USD), e aproximadamente um quarto em reais (BRL):

Figura1: Patrimônio em BRL (verde) e em USD (azul).

Honestamente, estou feliz com essa alocação de ~25% em BRL, e mesmo quando decidir voltar para o Brasil não pretendo mudar. Já me passou várias vezes pela cabeça em mandar mais dinheiro para o Brasil (experiência também relatada pelo Sr.IF 365). Talvez deixar uma alocação de 50%/50% para aproveitar a alta do dólar frente ao real. Mas toda vez que vejo a instabilidade econômica que é o nosso pais, eu mudo de ideia.

Mais detalhadamente, meu patrimônio está dividido em Renda Variável (RV), Renda Fixa (RF), Caixa, e Crypto:

Figura2: Tipos de investimentos: Caixa (verde), Renda Fixa (amarelo), Renda Variável (vermelhor), e Crypto (azul).

Minha idea principal era manter ~25% em Caixa, ~25% em Renda Fixa, e o resto em Renda Variável. Mas eu ainda não me decidi exatamente como deve ser dividido o meu portfolio. E criptomoedas vêm me agradando cada vez mais - como uma forma de proteção contra o Estado. Comecei com a idéia de ter apenas 5% em criptomoedas, estou pensando em aumentar para 10% ou talvez 20%. De qualquer forma eu nunca faço mudanças bruscas. Nunca tento adivinhar se o mercado vai cair ou subir. Eu traço um plano e vou executando aos poucos.

Em RF, a maior parte está em LCA e Previdência. Em RV eu não faço stock-picking. Ao invés disso eu invisto em ETFs. Atualmente minha maior participação é em SPY (segue o S&P 500), SPYD (contém empresas do S&P 500 que pagam altos dividendos), IYW (segue empresas de tecnologia), e um pouco em VNQ/VNQI (REITs). Não aconselho ninguém a seguir o que estou fazendo. Me considero um leigo no assunto e estou aprendendo.

Minha estratégia no curto e médio prazo (até declarar "RE" - Retire Early) é continuar com a carteira e os investimentos da maneira como estão. Quando estiver mais próximo da declaração da independência financeira, irei analisar mais as possibilidades de aumentar a posição em investimentos com maiores rendas passivas (dividendos). A situação muda também se decidir voltar ao Brasil, pois no fundo ainda gosto muito de lá - apesar de seus problemas - mas isso é assunto para um próximo post 😄